domingo, 19 de abril de 2009

Filosofia e Religião

RESUMO

Uma breve exploração da relação entre a Filosofia e a Religião, em particular os conceitos de Heidegger.

Palavras-chave: Filosofia, teologia, religião, Deus, onto-teo-logia.

Introdução:

A relação histórica entre a filosofia e a religião é conturbada. No presente texto apresento uma breve exploração dessa relação culminando no pensamento heideggiano que trouxe uma nova interpretação propondo uma fusão onto-teo-logica marcando a superação da metafísica tradicional, histórica.

Filosofia, o pensar racional do mundo, nasceu do afastamento das academias gregas da crença nos deuses mitológicos. A busca de entender o mundo pela razão sem o recurso do misterioso e a possibilidade de designar o inexplicável à vontade dos deuses marcou o início de um diálogo, que por vezes transformou se em guerra acirrada, entre a fé e a razão!  Desde a antiguidade o pendulo do pensamento filosófico, ora destaca a religiosidade (teísmo) ora o secularismo (ateísmo), em cada era ele reflete a caminhada do homem na busca pelo conhecimento de si mesmo e do mundo em que vive, e incluído nessa caminhada é a busca do homem para um Deus, qualquer que seja seu nome.

1.  Um breve panorâmico histórico

A pesar da critica dos deuses, o conceito de um Deus (um ser supremo e transcendental) está presente na filosofia antiga, notavelmente no pensamento aristotélico. Na obra Metafísica, o filósofo desenvolve o pensamento a cerca do primeiro motor, para ele “o motor imóvel, quer dizer, Deus, ou o ato puro que é a causa de toda mudança e de todo devir no mundo, mas sem estar ele próprio sujeito à mudança” (Metafísica III, 8) [1]. 

O pensamento da Idade Média é marcado pelo surgimento dos “monoteísmos e encontro com a filosofia grega” [2]. A Europa ocidental, onde o cristianismo dominou desde os dias do império romano, foi o palco do diálogo entre a teologia e a filosofia marcado pelo neo-platoniso, a filosofia sendo considerada pelos Padres da Igreja como a serva da teologia.  Esse encontro resultou numa verdadeira fusão entre a filosofia e a teologia cristã, sacramentada nas obras das Escolásticas, principalmente São Tomas de Aquino. O Ser Supremo de Aristóteles tomou a roupagem do Deus do cristianismo.

A modernidade foi marcada pela secularização e um novo distanciamento entre pensamento filosófico e a teologia. A razão e a fé mais uma vez ocuparam espaços distintos e o Deus da filosofia não é mais o Deus divino, objeto de adoração de culto do cristianismo, judaísmo ou islamismo, “é a causa como causa sui. [...] A este Deus não pode o homem nem rezar nem sacrificar.” (Os Pensadores – Heidegger – 1999, p.199).

2.      Uma nova metafísica!

Hegel faz uma afirmação sobre a relação entre a Filosofia e a Religião capaz de fazer os filósofos modernos virarem em seus túmulos, ele chega a declarar que a filosofia e a teologia são a mesma coisa, ele considera a filosofia como “teologia racional” – “Deus é o princípio de todas as coisas e o fim de todas as coisas; (tudo) inicia em Deus e retorna para Deus. Deus é um e o único objeto da filosofia [...] Assim, filosofia é teologia”.  O desenvolvimento do conceito da aproximação da filosofia e teologia é encontrado no pensamento do Heidegger.  De acordo com Heidegger, a filosofia e a religião em comum com as artes, buscam por caminhos diferentes “as causas últimas” [3], ou seja, tem a mesma finalidade.

A filosofia, como a arte e a religião, é afazer humano-além humano de primeira e última importância. [...] a filosofia situa-se necessariamente no esplendor da beleza e no liminar do sagrado (Heidegger- 1930).[4]

Na primeira etapa de sua vida profissional, principalmente no livro “Ser e Tempo” Heidegger aparenta ateísmo, no segundo período o conceito é outro, como enuncia Reginaldo José dos Santos Júnior.[5]

Se a leitura de Ser e Tempo possibilitava uma interpretação de Heidegger como um ateu, ou como indiferente à questão de Deus, neste segundo período as suas obras possibilitam outra interpretação. Nesses textos, parece ser possível afirmar que Heidegger não nega a existência de Deus, nem tampouco lhe é indiferente. (p.2)

Heidegger de fato entende que o pensamento filosófico desde Platão nada mais é de que uma onto-teo-logia a busca pelo Deus, o fundamento de todas as coisas, seja esse Deus o primeiro motor imóvel de Aristóteles, a causa sui do Kant ou até os humanistas em cujo pensamento o ser humano toma o lugar de Deus. O pensamento heideggiano afasta da filosofia o Deus cristão que dominava a filosofia na Idade Medieval e moral cristã que permeavam o pensamento filosófico da modernidade, mesmo nas obras de filósofos que negavam e propõe um retorno à busca pelo “ser”.

Conclusão:

Conturbada, colorida e viva a relação entre a Filosofia e a Religião oscila entre o amor e o ódio, o respeito e desprezo, cada época determinando a natureza do “Deus”, cada geração na busca da “causa última” para dar sentido à vida.

Referências Bibliográficas:

  1. HEIDEGGER, Martin – Ser e Tempo
  2. LALANDE, André – Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia – São Paulo, Editora Martins Fontes 3ªed.1999.
  3. Os Pensadores – Heidegger – São Paulo, Editora Nova Cultural Ltda, 1999.
  4. SANTOS, José (Júnior) - Deus na Filosofia de Heidegger – disponível em www.revistatheos.com.br/Artigos%20Anteriores/Artigo_01_02.pdf
  5. Metafísica, Epistemologia e Linguagem – Frederico Pieper – Heidegger e o “primeiro início” da filosofia– São Bernardo do Campo, UMESP – 2009.

Notas:

[1] LALANDE p.707.

[2] Tele-aula Prof. Frederico Pieper – 24/02/2009

[3] Tele-aula Prof. Frederico Pieper – 24/02/2009

[4] Idem.

[5] SANTOS – Deus na Filosofia de Heidegger

5 comentários:

  1. Otima matéria,está me ajudando muito em um trabalho da faculdade.Parabéns e Obrigado!

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  2. Fico fascinado quando encontro escritores que conseguem deixar simples o que de fato pode ser simples. Parabéns!

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  3. Esse "texto" é baseado em opiniões próprias; cita autores só para mascarar que a autora defende a religião.

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    1. Caro colega não existe um "texto",ou qualquer citação
      que não envolva o emocional,primeiro quem "conversa" tenta convencer, sendo assim usando sua opinião e experiências próprias, com fundamentos em algumas obras e pensadores predecessores.

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